terça-feira, junho 23, 2009 | Posted in , ,




"É natural que quem quer "elevar-se" sempre mais, um dia, acabe por ter vertigens.O que são vertigens?Medo de cair?Mas então porque temos vertigens num miradoiro protegido com um parapeito?As vertigens não são o medo de cair.É a voz do vazio por debaixo de nós que nos enfeitiça e atrai, o desejo de cair do qual, logo a seguir, nos protegemos com pavor."
_________________________ "A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera

Comments

4 responses to "ROTINA"

  1. Daniel Silva (Lobinho) On 23 junho, 2009 21:39

    Olá x_bear

    Já li o livro e é indubitavelmente verdade, esta passagem em particular.

    A foto está belíssima, talvez pela cor, embora também adequada ao tema, pelo ângulo em que foi tirada.

    Mas voltando às vertigens, pior é quando somos nós que as provocamos e depois nos queixamos por isso, qual olhar infeliz mas protegido com a segurança dos amigos (que nos dizem o que queremos ouvir)e nos deixam num estado em que nem se é feliz nem infeliz.

    É-se vitima de si mesmo sem se querer aceitar esse terrível facto, nao só da vitimização mas também da falta de auto-crítica, dado que apenas conhecemos o parecer dos mesmos "juristas".

    Mas se vier a "voz do vazio(...)que nos protege com pavor" conforme a tua citação, talvez seja meio caminho para percebermos onde estamos nos espelhos distorcidos ou intactos da vida.

    Grande abraço

     
  2. pinguim On 23 junho, 2009 21:47

    Afinal o título desse magnífico livro, tudo explica: "A insustentável leveza do ser".
    Abraço.

     
  3. Ezequiel Coelho On 24 junho, 2009 15:13

    É uma bela obra!

    Parece-me que a questão da vertigem (nesta citação), de alguma forma, está deveras interligada com a "atracção pelo precipício".
    Algumas pessoas possuem essa característica pessoal, de permanentemente se aproximarem do "precipício", de necessitarem constantemente do excesso, de viver em disputa, numa espécie de belicosidade inata que apenas indicia um mal-estar interior.

    Quanto à consciência da "leveza do ser", é uma tarefa e uma conquista que demora o seu tempo e faz sentido que assim seja.

    Como disse M.Yourcenar
    "O Tempo, esse grande Escultor"

    Fico contente que estejas a gostar do livro.
    Grande Abraço!

     
  4. Daniel Silva (Lobinho) On 25 junho, 2009 00:27

    Ezequiel Coelho

    Está bem visto, quase psicanalisado. E tens toda a razao quando determinas que se deve a um mal estar interior, o fascínio pelo abismo.

    Eu abordei o tema por uma prisma, e tu por outro.

    Gostei. De facto, a voragem dos dias e da loucura interior que nao cuida de assentar e reclamar dias tranquilos sem ser apenas o brilhante do Sol (mas é a noite que prepara o Dia e nao se mostra), faz com que as pessoas se destruam lentamente numa caminhada solitária mas orgulhosamente sós...

    Um abraço